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Por Anaximandro Eudson,
José Mário e Silva Jr. SÍTIO PAU D’ARCO
J.U.
– Onde começou seus estudos?
D.F – Eu estudei aqui até o 5º ano no Poré.
Depois fui fazer o exame de admissão em Augusto
Severo em 1966. Fiz o ginásio em Augusto Severo. Meu
tio era diretor do ginásio e eu morei na casa dele
durante quatro anos fazendo o ginasial. Depois fui
para Natal e me matriculei na Escola Técnica
Federal, ETFERN, hoje CEFET. Naquela época existia
um curso de estradas e eu fiz. Terminei o curso em
72 e entrei na iniciativa privada em novembro de 72.
Entrei numa empresa pesada na qual continuo até hoje,
trabalhando no ramo de construção pesada. É um ramo
de rodovias, barragens, hidrelétricas, aeroportos,
saneamentos, enfim, só não contemplo a parte de
construção civil. Quando entrei na EIT, entrei como
técnico de curso médio e só depois que eu fiz
vestibular para Engenharia Civil. Fiz o terceiro
grau de 74 à 78. Eu era funcionário da EIT com curso
técnico. E quando terminei Engenharia, fui
reclassificado ou classificado, digamos assim, como
engenheiro de obras rodoviárias. Graças a Deus minha
vida na EIT tem sido sempre num crescimento. A
empresa passou por dificuldades, mas graças a Deus
hoje estão sanadas e eu fiz a minha área de produção,
coordenação, superintendência e hoje estou na área
comercial cobrindo quatro Estados do Nordeste que
são: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e
Alagoas.
J.U – Uma obra que ficou marcada na história
de Upanema foi a Barragem de Umari. Sua construção
teve muito a ver com sua história e com a EIT?
D.F – Não tenha dúvida. A barragem de Umari,
se a gente fosse escrever um livro, daria realmente
em livro de todas as fases que a barragem passou.
Sem falsa modestia, digamos assim, não posso dizer
que eu não contribuí em arrastar um investimento
para fazer essa barragem. Essa é uma obra que nasceu
da idéia do DENOX. O DENOX tinha no Rio Grande do
Norte, como no Nordeste, várias indicações de
barramentos e uma das indicações era no rio Do Carmo,
na localidade de Umari e Poço Verde. Eu tinha
conhecimento desde que comecei a trabalhar na
engenharia. Conhecia as indicações do DENOX. Fiquei
com aquilo a vida toda e quando chegou a
oportunidade que veio o processo da barragem de
Santa Cruz, numa conversa com o diretor do DER,
mostrei a ele a potencialidade que Upanema tinha com
relação à terras. Eu considero Upanema, no Rio
Grande do Norte, um lugar ímpar com relação à
topografia e à qualidade de solo. Aliado a isso a
água no subsolo. Então contei a ele essa história e
mostrei todo o potencial que tinha e disse o local
de fazer a barragem. Ele consultou o governador na
época que era Vivaldo Costa, e ele autorizou iniciar
o processo e isso foi feito. Foi licitado em
dezembro de 94. Chegou o outro governo, que foi
Garibaldi, e aí houve o trabalho de muita gente. E
assim nós conseguimos enquadrá-la no projeto de
investimento do plano de venda da COSERN. Foi uma
coisa que tivemos sorte com essa obra de grande
importância. Upanema com essa barragem é uma coisa,
e antes era outra. Ainda falta fazer muita coisa,
com relação a sua utilização, mas a estrutura está
lá. É só chegar agora e desenvolver. Uma obra de 74
milhões que Upanema nunca imaginou chegar. Possui
uma bela arquitetura, inclusive, e uma tecnologia
que no máximo trinta anos esse tipo de barragem de
concreto rolado, e a barragem ficou de uma
plasticidade muito interessante. J.U. – Uma coisa
que tem de diferente nessa barragem em relação a de
Açu, é que a de lá quando sangra, traz prejuízo e a
de Upanema não. Por que isso ocorre?
D.F. – As barragens de concreto que existiam
antigamente, eram com sangradouro liso. É o que a
gente chama de salto esqui. É uma curvatura, é um
“S” que você teria no topo e embaixo uma curva, tipo
o de Gargalheira. E isso dá uma velocidade a água
estupenda. Isso acontece em Açu. A água sangra com a
mesma velocidade que vem, com um poder de destruição
muito maior. As barragens de concreto eram feitas
naquela época assim. Os técnicos foram desenvolvendo
uns modelos reduzidos e chegaram ao degrau. O degrau
é um dissipador de energia. A água passa com uma
velocidade, e quando chega embaixo é como estivesse
nascendo na própria base do vertedouro. Não há
umavelocidade de destruição, de arranque. O grande
motivo do degrau é reduzir a energia cinética e
reduzir a velocidade das cheias. Agregou mais valor
a obra de Upanema. Evidente que as barragens hoje já
estão com essa tecnologia. Santa cruz já funciona
assim, quem passou em Santa Cruz viu a sangria com
1,20m. Você ficava na base do sangradouro e parecia
que a água estava parada naquela base em função de
toda dissipação que acontecia durante a queda dela
nos degraus.
J.U – Falando da beleza estética da barragem.
Ela é a maior parede de concreto armada das Américas?
D.F – 2.400m de comprimento. Segundo nosso
consultor, um homem que trabalha na Venezuela, que
foi até os Estados Unidos fazer supervisão na
construção de barragens, ele me disse que na América
Latina, era a barragem de maior comprimento.
Inclusive maior que a de Santa Cruz, que tem 800m de
terra em roqueamento e aqui são 2.400m de puro
concreto.
J.U – Com relação a sangria da barragem, a
gente observava nas entrevistas do senhor, que
existia uma certa ansiedade em ver a barragem
sangrando. Em certos momentos o senhor disse que era
como se fosse um filho. Qual a emoção que o teve
quando ela sangrou pela primeira vez?
D.F – É uma emoção que às vezes você nem
imagina. É aquela emoção de dever cumprido; é
entender que a barragem chegou a seu ponto máximo,
seu clímax, de uma obra de armazenar 300 milhões de
metros cúbicos. Muita gente me indagava: rapaz, sua
barragem nunca vai encher? E ficávamos com
frustração, embora que na minha visão as barragens
do nordeste não deveriam sangrar nenhuma. Devia
guardar 100% da água que chegasse na sua bacia
hidráulica, mas isso não é possível, evidente. Você
tem um prazer de ver uma obra funcionando em toda
sua plenitude. Eu cheguei nesse período até fazer
contas. Eu dizia: está na cota 69; estão faltando
120 milhões; se chover tantos milímetros ela vai
sangrar em quinze dias. E o inverno foi reduzindo, e
a gente foi ficando angustiando que ela não chegasse
a sua cota máxima. Então, hoje chegando naquela
barragem e vendo que era um terreno que não tinha
absolutamente nada, e a gente nascer aquela obra, no
chão como se diz, um interior e chegar aquele nível,
como engenheiro, dá orgulho quem tem no seu
currículo uma obra como aquela ali.
J.U – O senhor sempre teve o sonho de ser
engenheiro, ou ao longo da vida acadêmica o senhor
foi se direcionando para engenharia? O senhor que
foi atrás da engenharia ou a engenharia foi atrás do
senhor?
D.F – Eu acho que a engenharia que foi atrás
de mim. Por que na verdade quando eu estava fazendo
o ginásio, eu não tinha alcance do eu ia fazer. Os
meninos de hoje em dia começam a fazer uma escola e
dizem logo: eu vou ser médico, outro diz: eu vou ser
engenheiro, vou ser advogado, enfim, qualquer
profissão. No final do ginasial, não tinha idéia do
que eu ia fazer. Na realidade minha idéia era
estudar. Meu pai foi um grande incentivador dos
estudos. Quando veio a escola técnica, que era uma
escola que tinha um grande nome no Rio Grande do
Norte, eu me interessei pra fazer estradas. Isso foi
um chamamento,porque eu poderia ter feito Geologia,
ter ido pra outro curso. Mas quando eu cheguei no
curso de estradas, me identifiquei e vi que ali era
meu ideal.
J.U – O senhor é a favor da transposição das
águas do Rio São Francisco?
D.F – Eu sou sim, a favor da transposição. Eu
acho que é importante a transposição. É uma obra
permanentemente de abastecimento humano; é um volume
para abastecimento das populações. Então no meio do
caminho ela vai ligar os grandes reservatórios. Aqui
no Rio Grande do Norte ela vai desembocar em Açu,
através da Paraíba e outra linha no Ceará encaixando
na barragem de Santa Cruz. Evidente que o que está
licitado hoje no primeiro lote, não contempla a
barragem de Santa Cruz com Ceará. Esse lote ainda
vai ser licitado. Você imagina que como vai ter um
volume de água maior, essa capacidade dos
reservatórios estaria num nível maior e daria um
número maior de sangria. Era mais água passando pelo
sangradouro. É bem verdade que na hora que fizer
essa transposição, que essa água chegar nos
reservatórios, deverão ampliar ou desenvolver os
projetos para que tenha um equilíbrio entre
fornecimento e recurso. A irrigação depende da
oferta de água. A princípio, se ele fosse estanque a
esse movimento, ia sobrar mais água ainda. Isso é
calculado para ampliar as áreas de irrigação e com
certeza vai gerar mais empregos, que é o grande caos
do nosso país.
J.U – Com relação a transposição, muito se
fala da transposição ser uma obra eleitoreira, e
comenta-se também de pressão de grande parte das
construtoras. Como ver essa questão?
D.F – O Brasil tem muito isso, de achar que
as construtoras mandam no Brasil. No Brasil não se
manda em nada. O Brasil mudou muito. As construtoras
estão aí para ser o vetor do desenvolvimento do país.
As construtoras geram empregos, rendas, tecnologia.
O Brasil hoje tem uma engenharia de primeiro mundo.
Treinar técnicos, engenheiros, operários. As obras
servem pra isso. O Brasil teve um momento de
estagnação que hoje nós estamos sentindo. É que não
tem mais engenheiro, não tem mais técnicos, não tem
mais topógrafos, não tem operadores, porque foi um
momento de paralisação. Então com esse aceleramento
que aconteceu agora, está no mercado uma loucura e
nós não temos mais ninguém porque não foi preparado.
Está havendo uma disputa. O mercado elevou o nível
salarial do engenheiro, depois de trinta anos de
formado eu vi isso agora. Além das obras serem
desenvolvimento. Eu vejo que esse país deveria ser
um canteiro de obras a vida toda e tem condição pra
isso. Esse país com essa imensidão, por exemplo, tem
um déficit de rodovia fenomenal. Vou contar uma
história bem pra trás. A França deve ser do tamanho
de um Estado desse brasileiro, e tinha na época que
eu estudava engenharia, duzentas vezes mais
quilômetro de rodovia asfaltadas do que o Brasil.
Imagine o que é. Em 2006 eu estive fazendo uma
visita à França. Eu andei 2.500km e não andei em 1m
de rodovia sem ser pavimentada. Então em quantos
anos nós vamos chegar a esse nível de excelência?
Então, nós temos muitas coisas pra fazer. É preciso
um nível de investimento, é preciso o país estar
entrando no nível de normalidade econômica
financeira, com credibilidade, pra poder empregar
essa juventude que vem aí.
J.U – A EIT passou nos últimos anos por uma
reformulação na parte de direção, na presidência.
Essa reformulação de que fórmula foi feita, está
tentando melhorar na forma administrativa?
D.F – Ela reformou o seu quadro de acionistas.
Esse foi o primeiro passo que aconteceu. A empresa
era de dois grupos: um no Rio Grande do Norte e uma
no Ceará. E o grupo do Rio Grande do Norte se
afastou da direção da empresa e assumiu o grupo do
Ceará. Hoje a empresa pertence a um grupo Cearense.
No caminho disso, ela fez reformulações no seu
organograma de trabalho, nas suas múltiplas funções.
Além de implantar um sistema mais moderno de gestão,
velocidade de informação, em termo da informática
hoje, ela também modificou na parte operacional com
relação à parte comercial. Até para dar velocidade
às ações de cada setor. Nós estamos aí, inclusive
isso já foi feito, e depois de 50 anos estou
estudando para conhecer, me adaptar a esses modelos,
a essas metodologias em gestão de funcionamento.
Basicamente é isso aí. É um grupo do Ceará que tem
controle absoluto da empresa e está partindo para o
crescimento vertiginoso. Pra você ter idéia, esse
ano a empresa quer ter um crescimento de 100%. No
ano passado cresceu 56%. O projeto da empresa é um
projeto que tem que se enxergar eterno. É uma
empresa que tem 58 anos. É uma empresa que se você
procurar no Brasil tem poucas com essa idade no
nosso ramo. A maioria chega ao fim antes dos 50 anos.
J.U – Não poderia deixar essa pergunta fora,
afinal são quase 50 anos esperando essa BR. Qual sua
expectativa em relação a BR 110?
D.F – Eu tenho uma expectativa muito boa
dessa BR. No DENIT, é preciso ter projetos para nas
horas certas serem contemplados. Essa BR hoje tem um
projeto executivo pronto. Há um interesse por parte
das autoridades e dos políticos. É uma rodovia
importante para o Estado no contexto interestadual.
Então, eu tenho uma expectativa pelo que eu escuto
falar, e pelo projeto que anda no DENIT, eu também
por ser daqui eu fico lá bisbilhotando. É uma obra
que está às portas pra ser contemplado. No ano
passado foi contemplado pelo Orçamento Geral da
União e o projeto não estava pronto. Nesse ano não
foi contemplado, mas o projeto estava faltando
apenas o estudo de viabilidade econômica. Agora
acredito que esse ano esteja resolvido. E no próximo
ano ela tá prontinha pra todo mundo brigar por ela,
desde seus usuários, autoridades, governos,
deputados, para que se possa arranjar recursos pra
ela. Na minha visão, eu vejo que é uma obra que a
partir de 2009 esteja começando. Essa é minha
expectativa.
J.U – O senhor hoje é diretor municipal do
PMDB e sucedeu seu pai. Esse interesse pela política
aconteceu através de seu pai?
D.F – Na realidade eu nunca fui político e já
disse isso de público. Eu sempre fui técnico. Minha
vida é no setor privado. Essa história surgiu por
motivo da doença de meu pai. Ele me pediu pra que eu
ficasse presidente do PMDB, até ele ficar bom. Era
um pedido que eu não podia negar. Não tinha nenhum
motivo pra eu negar. E essa coisa foi me pegando e
sempre achando que tinha uma missão pra cumprir, e
essa missão ia acabar e isso não acaba nunca. Fui me
enveredando por essa parte. Eu digo que faço mais a
política municipal do que a estadual. As empresas
privadas não permitem que você faça isso. Então, eu
tenho mais atuação municipal, até por que defendo
nosso município e estamos aí para mais um disputa
política, na qual temos um pré-candidato que deverá
ser homologado na convenção e o que eu entendo é que
todos nós temos que ajudar a fazer política em prol
do município.
J.U – A amizade que o senhor tem com a
família Alves foi através de seu pai?
D.F – Exatamente, foi através de papai. Papai
era quem conhecia Henrique Alves e Garibaldi. Foi
através dele que eu os conheci. Uma vez eu me
encontrei com Henrique e me apresentaram como filho
de Zezé. Fizemos amizade, e até hoje temos essa
amizade. Todos acham que a gente só conversa sobre
política e não é. Realmente foi uma amizade que
iniciou através de papai. Certo que a empresa (EIT)
já fez vários trabalhos no Rio Grande do Norte, mas
nossa amizade já vem de antes disso.
J.U – Até pouco tempo sabíamos que seu nome
era citado como pré-candidato e até se comentava que
era um candidato que mais aglutinava os outros
partidos pra formar a base. Essa decisão de não se
candidatar agora, é por que está dando um tempo e no
futuro poderá acontecer ou é definitivo?
D.F – Não. Eu acho que nada é definitivo na
vida de ninguém. Eu acho que nada, não podemos dizer
que não vamos fazer. Esse era um momento muito
importante para a empresa, que eu fui convocado pela
empresa para um projeto maior. E nesse momento eu
não poderia abrir mão desse projeto que será para
minha vida toda. Eu nunca tive vaidade de ser
prefeito. Sempre tive vaidade que Upanema crescesse.
Como muitas pessoas me dizem que passou pela minha
cidade e estava muito bonita. Então isso é muito
importante. Todos sabem que Upanema evoluiu muito,
como poucas cidades do Rio Grande do Norte. Essa é a
visão que eu tenho independente de pertencer ao
grupo no qual esteja administrando, que é do PMDB,
do qual somos amigos.
J.U – Agora vamos falar dos acessos que o
senhor tem politicamente e através da empresa.
Sabemos que o senhor tem grande acesso com a família
Alves. Qual o relacionamento do senhor com a
governadora Vilma e o senador José Agripino?
D.F – Na verdade o meu relacionamento é mais
profissional, até por que eu não faço política
estadual, como eu falei anteriormente. É um
relacionamento mais empresarial, como executor. Como
cliente nós temos o governo de certa forma. Então é
um relacionamento de empresa executora para órgão
contratante. Não converso política com ninguém. Acho
que aquele momento é um setor privado prestando
serviço para o setor público. Então sempre convivi
muito bem com isso. Tenho sim um relacionamento com
eles, tenho grande respeito para com a governadora e
pelo senador José Agripino, que também já foi
governo. Também ao senador Garibaldi, enfim, a EIT é
uma empresa que presta serviço ao governo do Rio
Grande do Norte com muita intensidade e isso que faz
com que a gente se aproxime mais da equipe dirigente
do Estado.
J.U – O PMDB na próxima eleição tem o nome de
Maristela quase confirmado. Só falta a questão da
homologação. Como surgiu o nome de Maristela
candidata do PMDB?
D.F – A maioria pensa que foi um nome tirado
do bolso e jogado numa mesa sem nenhum critério e
sem nenhuma discussão, mas não foi nada disso. O
nome de Maristela surgiu numa abertura que o
prefeito do PMDB deu aos postulantes das
candidaturas, que você sabe que na hora que meu nome
foi descartado definitivamente, e nesse pleito
surgiram vários nomes, num processo democrático,
isso é perfeito, e dentro disso foi inserido o nome
de Maristela. Cada um trabalhou o seu nome, e chegou
a um consenso com todos os candidatos que seria o
melhor nome do grupo para aglutinar, enfim ganhar as
eleições. Na verdade foi um processo discutido e foi
um processo que passou por todos os outros
pré-candidatos, e chegamos a conclusão que era o
melhor nome para marchar nesse pleito.
J.U – Sabemos que foi escolhido o nome de
Márcia como vice na chapa com Luiz Jairo. Márcia é
esposa de Carlinho Garcia. Ficamos sabendo que é uma
família que sempre esteve com Zezé e também ao lado
do senhor politicamente falando. Como o senhor ver a
saída de Márcia para a oposição?
D.F – Na realidade, Carlinho não me falou
nada até agora sobre isso. Eu fico triste com essa
decisão, se isso for verdade. Não sei os motivos,
não sei quais foram os argumentos dentro de um
programa de governo que isso possa ter acontecido.
Pra nós eu acho uma pessoa amiga, que está junto até
hoje, posso dizer assim, com esse grupo, e se isso
tiver acontecido, é paz. Cada cabeça é uma sentença
e eu não sei, ele deve ter uma justificativa pra
dizer aos amigos e à população.
J.U – A ida de Márcia para a oposição, com
certeza deve afetar em termos de voto, porque ela
fazia parte da situação. O senhor acha que esse
impacto da ida de Márcia para a oposição, pode
abalar a candidatura de Maristela?
D.F – Eu acho que não. Evidente que há uma
defecção no grupo, mas isso não é determinante. A
candidatura de Maristela é uma candidatura posta,
muito bem avaliada, que nós mesmos com esses
acidentes nós temos amplas chances de ganhar as
eleições. E quem sabe se quando vai um, vem outro.
Eu acho que os candidatos devem ter propostas. O
candidato tem que ter uma visão disso tudo e o
eleitor quem vai decidir quem é o melhor candidato
em função das propostas e histórias. Todo mundo tem
sua história. Você faz sua história. A vida é assim,
ninguém engana as pessoas a vida toda, engana um dia,
mas a vida toda não engana. Não estou dizendo isso
descaracterizando candidatura A ou B. O eleitor vai
avaliar a melhor proposta, qual a melhor opção para
dirigir o município de Upanema. Eu tenho certeza que
é o nosso lado e que é a candidatura de Maristela.
J.U – Nas duas vezes que Luiz Jairo foi
candidato ele perdeu pra Jorge Luiz. Como o senhor
ver a pessoa, o candidato Luiz Jairo?
D.F – Você sabe que eu não converso com Luiz
Jairo, não tenho muito o que falar dele, e ele tem
direito a postular em ser o prefeito de Upanema.
Acho que ele deveria ter uma visão maior, ele é
muito fechado dentro de um bloco. Não tenho muito o
que falar sobre isso, mas acho que como político não
é a melhor opção para Upanema e como pessoa humana
nada que o desabone.
J.U – Em relação aos outros irmãos de
Carlinhos. O senhor tem conversado em relação a esse
fato?
D.F – Tenho conversado. Evidente que depois
disso aí, eu não conversei com todos. Tenho
conversado com alguns e tem sido todos solidários
com o grupo da candidatura do PMDB e PT.
J.U – Acho que é a primeira vez que se ver o
PMDB e PT juntos em Upanema. Como o senhor ver essa
junção de PT e PMDB?
D.F – Eu vejo com bons olhos. É uma
maturidade política, com o PMDB fazendo coligação
com o PT em Upanema e a maioria dos partidos.
Entendo que é um projeto de visão de futuro e não é
um projeto individual de ninguém. E eles responderam
muito bem a essa proposta, de um desenvolvimento de
Upanema sem vaidade. É um processo de discussão. O
PT tem uma pré-candidata, para na verdade
sacramentar isso que ainda está em discussões.
Acredito que isso chegará a bons termos e chegar
outubro pra ganhar as eleições.
J.U – Qual sua avaliação na administração
Jorge Luiz?
D.F – A administração Jorge Luiz, eu reputo
como uma das melhores do Rio Grande do Norte. Eu
digo Rio Grande do Norte por que eu não conheço o
restante do país. Não estou dizendo isso porque eu
esteja no mesmo bloco. Upanema se desenvolveu de uma
forma que a gente não sabe de onde saiu tanto
investimento. O programa de habitação em Upanema
acredito que no Rio Grande do Norte não tem igual.
Sabemos que a saúde é um problema do país, mesmo
assim, quem viu Upanema ontem e ver hoje, sabe que
não dar pra comparar. Minha avaliação é bastante
positiva
.
J.U – Deixe uma mensagem final para os
leitores do Jornal de Upanema.
D.F – Eu não sou filósofo, mas vou dizer o
que eu sinto. Eu acho que nós temos futuro. O Brasil
tem um futuro, Upanema tem um futuro e eu acredito
nesse futuro. Tenho certeza de que os mais jovens
que estão chegando, terão uma oportunidade e
condição melhor do que os anteriores. Eu sou
otimista, acredito no país e em Upanema. Temos
certeza que nós vamos evoluir e seremos muito mais
viáveis no seu ponto de humano, de exercer a
democracia, a cidadania. Eu digo cidadania é o
sujeito ter condição de prover o seu sustento, pagar
os estudos dos seus filhos, de ter a condição mínima
de vida, para poder ser livre dessa amarras e
argolas que infelizmente ainda existe em nosso país.
Gostaria de encerrar citando Almir Sater quando diz:
“Todo mundo compõe a sua própria história e todo ser
em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz”.
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